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Quando a alma morre...

Eu cansei de viver, cansei de sonhar, de sentir, de fazer, de deixar acontecer, de esperar, de desejar, de respirar, de odiar, de amar, de ignorar. Eu cansei de dormir, de andar, correr, pular, de se jogar, cansei de imaginar, de se apegar, de sofrer, cansei de me decepcionar, de ser, de não ser, de estar, de não estar, de seguir, me perder, de prosseguir, de falar, ver, ouvir, de sentir. Eu cansei de parar, desistir, de continuar, de deitar, de sentar, cansei de existir.

Eu escrevo...

Por amor ou por nada, escrevo apenas... Não tudo o que sinto e até mais do que sinto, escrevo sentimentos, escrevo sensações. Não sou amante e não anseio a ninguém, Escrevo apenas a inspiração momentânea que grita e logo se esconde... Deixando a conquista de lado, escrevo tragédias. Apenas grito em silêncio a vontade de todos, vazio, eu me vejo tentado a roubar sentimentos alheios: Os pássaros cantando, o vento nas árvores, o Sol brilhando e as crianças brincando, amantes aos beijos, carros passando. O mundo inspira a poesia desajustada de mentes vazias e eu roubo todas as sensações a minha volta. Mas escrevo também todo o vazio significativo que se expande em mim, os sentimentos que quando me encontram desfalecem tão rápido e além de tudo, escrevo sobre meus desejos e antigos sonhos, para que saibam que até eu um dia tive mais que emoções roubadas.

Poeta

Lindos olhos vazios destacam-se de sua triste face, suas palavras alimentam esperanças esquecidas por si mesmo. Sonhos, desejos, anseios; nada mais lhe encanta. Abandou a vida e se entregou ao mundo abstrato, onde a segurança de estar só lhe permite ser ele mesmo enquanto entrega apenas fachada ao mundo, entrega a todos um modo de acreditar, através de seus lindos versos, no fundo todos vazios. Oh, triste poeta que ao papel entregou seus sentimentos, de todos os desejos que queimavam em seu peito, descobriu-se frio, e do amor, ainda que fascinado, entregou-se a solidão. Mesmo que ame como outrora amaram os antigos poetas românticos, não se deixou perder pela dor da espera, amou apenas, silenciosamente, sem se quer deixar perceber que existem muito mais coisas por trás de seus tristes olhos vazios.

Tédio

A chuva caindo lá fora me faz lembrar cada momento sozinho que meus doces dias se tornaram, um tédio tão sublime, quase beirando a loucura. Lugares para ir apenas com a esperança de enganar a tristeza que sabe e sempre cerca, as novidades pararam de surgir pouco a pouco sem que pudesse ser percebido. Não há Sol, ele se esconde e deixa que as lágrimas caiam sobre a terra outrora iluminada por sua luz, de forma que a visão da terra pela janela torne-se triste e incompleta. Uma tristeza mórbida e sem vida que me abraça e me entrega ao solitário comum de um dia desértico e silencioso. O crepúsculo encerrando o dia me faz delirar em exaltação esperando que com a chegada da noite haja também algo a se fazer, coisas que não se espera de dias normais onde a estagnação me faz querer apenas o vazio de uma solidão programada. Os amigos, todos eles estão em seus próprios mundos vivendo suas vidas onde não há espaço para minha companhia inanimada, não que não haja esforço, porém discutir a vid...