Cerulean Realms

domingo, 28 de dezembro de 2008

Desculpas e despedida


Não minha querida, eu não esperava que as coisas fossem terminar assim

Não queria gritar daquele jeito, nem dizer coisas tão egoístas.

Esperava que você pudesse entender que tudo nesse mundo com você

Foi uma experiência nova para mim. De fato agora eu sei que eu podia ter esperado

Em vez de ser tão bruto, mas eu não vou mais dizer que realmente me importo

Todo aquele sonho que eu compartilhava com você se foi há muito tempo,

Mais do que eu poderia ignorar.

Agora só diga que se importa comigo e não estava falando sério quando disse que ia partir

Não que eu realmente me importe, mas eu preciso saber se algo foi real

 

Como um furacão de emoções eu simplesmente me perdi do caminho

Que eu mesmo escolhi para mim, mesmo lutando eu já estava longe

Agora é tarde para culpar alguém, melhor fingir que não era pra ser.

 

Eu estive ao seu lado todas às vezes para te levantar sempre que você caia,

Só esperava que você me ajudasse na única vez que realmente precisei de você.

Sozinho, rastejando e rastejando de um lado para o outro

Eu cruzei a noite de bar em bar esperando encontrar uma resposta

Do porque do meu mundo não se encaixar com o seu,

Sem ninguém para pegar minha mão ou me mostrar o caminho

Eu deixei cada gota de álcool me levar pra longe,

Pra longe dos lugares que me levavam até você,

Longe do mundo que um dia eu te prometi,

Longe das lembranças que eu jamais quis esquecer.

 

Então minha querida, quando olhar para trás

Apenas lembre que não era minha vontade deixar tudo morrer dessa forma.

Porque eu nunca vou deixar de lembrar

Do quanto foi divertido cada segundo fazendo o que gostávamos

E nem deixar o tempo me fazer esquecer o que eu senti por você

O que eu senti com você e o que acabei sentindo sem você.

Tédio


A chuva caindo lá fora me faz lembrar cada momento sozinho que meus doces dias se tornaram, um tédio tão sublime, quase beirando a loucura. Lugares para ir apenas com a esperança de enganar a tristeza que sabe e sempre cerca, as novidades pararam de surgir pouco a pouco sem que pudesse ser percebido. Não há Sol, ele se esconde e deixa que as lágrimas caiam sobre a terra outrora iluminada por sua luz, de forma que a visão da terra pela janela torne-se triste e incompleta. Uma tristeza mórbida e sem vida que me abraça e me entrega ao solitário comum de um dia desértico e silencioso.

O crepúsculo encerrando o dia me faz delirar em exaltação esperando que com a chegada da noite haja também algo a se fazer, coisas que não se espera de dias normais onde a estagnação me faz querer apenas o vazio de uma solidão programada. Os amigos, todos eles estão em seus próprios mundos vivendo suas vidas onde não há espaço para minha companhia inanimada, não que não haja esforço porém discutir a vida não me chama mais a atenção uma vez que não há nada que eu possa acrescentar que eles já não saibam.

A noite fria causa calafrios enquanto as pessoas se movem em ritmos acelerados, as luzes da cidade agora acesas denotam o contorno de uma civilização cegada pelas leis do consumismo compulsivo, ainda assim nada a se fazer. A música entoando pelo quarto dá a sensação de que tudo acabou e nada mais importa, o corpo inerte jogado sobre a cama enquanto os ponteiros do relógio mantêm-se parados, a escuridão lá fora suaviza o sofrimento aqui dentro e disfarça o tédio. Ninguém apareceu até agora com a notícia de algo melhor, enquanto minhas energias e esperanças se esgotam eu posso sentir a ilusória sensação que a saudade nos trás apenas para tentar suicidar a alma.

Enquanto a madrugada passa e o sono não chega resta apenas a satisfação encima das lembranças aleatórias de dias melhores, lembranças agora tão vazias que se perdem junto ao comodismo desesperado que as tornou assim. Conto as horas esperando a chegada do sono que se afasta pela mesma sensação que me faz desejá-lo, agora o mundo se tornou agressivamente mais vazio de forma que a solidão tenha tomado conta de tudo que está à vista. Essa tristeza me embala em momentos que duram por muitas eternidades, os momentos de intervalo se devem a repentinos espasmos do que resta de vida em mim, nada grande o suficiente que perdure mais que alguns minutos.

Ao mesmo tempo em que o Sol se levanta e deixa que sua luz entre pela janela, minhas energias se esgotam finalmente e sem a decepção que outrora me deixava extremamente descontente, eu durmo. Durmo sem a esperança de um novo dia melhor, durmo sem me apressar para a rotina que enforca meus sentidos todos os dias, durmo apenas para não deixar que a mente em um momento de impulso possa assassinar o corpo.

 
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