Cerulean Realms

domingo, 9 de novembro de 2008

Vida

Os lindos textos de amor que suavizavam e cativavam, não existem mais, não sei dizer onde tudo mudou mas minhas idéias são criticas e carregam um leve gosto de veneno junto a elas. Eu perdi a capacidade de ser doce de deixar um sabor leve em minhas poesias. Tudo agora é amargo e deixa apenas melancolia para aqueles que se atrevem a ler, nada mais do “felizes para sempre”, agora temos uma morte em cada cena para que se prenda a atenção. Tanto uma morte real quanto aquela que está apenas no sentido figurado: “a morte dos meus medos, dos meus amores, das minhas vontades, das minhas certezas e de tudo aquilo que eu pregava.”. Aos poucos ficou claro que não existe tempo para pensar em coisas inúteis. Sonhos, eles nunca nos levaram a lugar algum, os meus medos e demônios interiores me deixaram louco, eu perdi a crença em tudo que eu não podia tocar. Deixei de acreditar no futuro e a me importar com o presente, a despeito do passado não há nada a se fazer quanto aos erros já cometidos. Viver é apenas uma ilusão que sempre se repete. A arte de fingir se tornou uma segunda vida para mim, cada momento parece uma cena de teatro e quando a cortina se fecha logo depois se abre para a próxima peça. Os dias se tornaram tediosos e repetitivos, não há mais aquele gosto de novidade que tanto me anima e me faz sempre querer mais. Comodismo talvez; só sei que acabei deixando minha vida cair na rotina e não tive iniciativa para fazer nada contra isso. Agora eu tento criar uma nova versão de mim para as coisas que se fazem importantes para que suas atenções se prendam a mim, de forma que todos possam me ver. Eu preciso de fama, eu busco ser conhecido, busco ser amado e todas as pedras nesse caminho eu simplesmente passo por cima. Posso ser egoísta, mas de fato me preocupo com as coisas a minha volta, não com a preocupação de quem tenta ajudar mas com o medo de como isso pode me afetar. A tristeza é meu modo de vida perfeito, a única que sempre volta e se repete. Dessa forma eu sigo meu caminho não em busca da tão aclamada felicidade mas apenas em busca do meu bem comum; aquela parte de mim que pode deixar essa rotina na qual vivo. Eu sei que sempre serei o errado e que não há nada que eu possa fazer pra mudar isso, o passado me condena e o futuro me procura pra trazer toda a dor pra fora. Mas tudo isso pode ser simplesmente o caminho que eu mesmo escolhi para mim de forma que eu mereço cada pessoa que me deixa, cada sentimento que morre em minhas mãos, cada palavra vazia que eu desprendo na esperança de tentar resistir e no final sempre me joga mais pra baixo. A inutilidade de viver é a marca de minha existência.

Um pouco de mim...

Deixei de lado minha busca por auto-conhecimento, eu apenas sei que sou, agora e não mais como eu fui. Nada mais da criança que acreditou e se decepcionou, os sonhos foram embora junto com a crença em heróis... No final todos eles morreram pra mim. O que restou foram os pesadelos banhados com mentiras e imagens aleatórias de lembranças de todos os maus momentos. Então sigo cada dia inventando um novo modo de sentir o mundo a minha volta, assim eu posso abraçar minha insanidade e dançar no ritmo inane da melodia agonizante em meu ouvido. Essa música que me faz deixar o chão e enxergar muito mais além da sociedade inerte que nunca evolui, tudo passa como pequenas cenas de filmes e eu sei que acabam tão rápido quanto começam. Os parques foram trocados por bares sujos e a Coca-Cola por garrafas de qualquer bebida barata, a inocência trocada por garotas estúpidas e nojentas que eu nunca mais vou ver após nossa primeira e ultima vez. Amor? Esse sentimento só trás tristezas e lembranças que não podem ser esquecidas. Então eu desprezo todo esse modismo de estar apaixonado e me volto apenas para o desejo que nunca acaba e não se importa, dessa forma eu posso fazer cada vontade e que se foda quem estiver do outro lado. Não me importa se as pessoas estão gostando ou não, eu sempre tento me manter legal, problema de quem não consegue me acompanhar. Eu também amei um dia, e aprendi a me divertir, o gosto de ser amado e como amar também, mas coisas como essas que duram pra sempre acabam rápido demais, e como tal não são dignas de importância. Então os únicos momentos que importam são os que eu vivo em liberdade, porque essa liberdade me permite ser quem eu quiser, quando eu quiser e como eu quiser, no fundo eu sou apenas isso... Um pouco de tudo.
 
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